quarta-feira, 3 de março de 2010

São caboclos querendo ser ingleses

Como dizia Cazuza num trecho da música Burguesia: “São caboclos querendo ser ingleses”, a burguesia brasileira possui um alinhamento automático com o centro de poder estadunidense, chega até a parecer natural a defesa que fazem dos interesses de certos países ricos. Parece até existir uma solidariedade de classes dominantes (a de cá com a de lá, certamente).

Esse posicionamento chega a ser escandaloso e pode produzir um efeito polarizante e perigoso.

Qualquer experiência que surge de um país pobre é rotulado de forma preconceituosa (Bolívia, Uruguai, Venezuela).

O presente episódio da escolha dos aviões supersônicos que o Brasil vai comprar, a burguesia (e a grande mída, naturalmente) já escolheu seu preferido, e é o americano (Boeing) e sem a transferência de tecnologia.

Os outros são o francês (Rafale) e o sueco (Gripen).

Imaginem se o Brasil tivesse um Boeing desses e ocorresse um confronto com, digamos, um outro jato estadunidense baseado na Colômbia. Bastaria um código transmitido pelo exército estadunidense e o jato brasileiro (Boeing) pararia de funcionar. Não é interessante?

Pois é, cara-pálida, interesses fabulosos querem atrelar de forma dependente e submissa o Brasil ao EUA, e para esses caras a nossa soberania tem que ser necessariamente destruída.

Passados o Consenso de Washington e suas reengenharias, ainda continuam defendendo suas crenças, e o mercado parece ser um ser divino.

Esta é a síntese da posição de grande parte da burguesia brasileira, mas acho que os Rafales darão um jeito nisso.

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