domingo, 13 de maio de 2012
EXCLUSÃO ESCOLAR
Muito se tem falado sobre a violência nas escolas, especificamente no interior das salas-de-aula. É, como diz o jornalista Mino Carta, “é do conhecimento até do reino mineral”, que a violência é cotidiana e permanente e o único que não a reconhece é justamente o governo de São Paulo.
É certo que todos têm direito à educação, mesmo aqueles que não a querem, mas como ainda estão em fase de formação de suas personalidades, a família, o Estado e a sociedade são responsáveis pela sua formação educacional básica.
Todos sabemos que os alunos problemáticos estão num processo de socialização, daí a correta política de mantê-los em salas-de-aula normais. Mas quando a situação se torna crítica não há nenhum apoio ou estrutura adequada para tratar com esses casos, e o que ocorre é o profissional da educação ter que improvisar, sem qualquer metodologia ou apoio oficiais, e se a pressão for muito forte ele se afasta por motivos de saúde ou explode e responde a um inquérito administrativo.
Porém essa política de inclusão está provocando um problema muito mais grave que é a queda da qualidade do ensino e a exclusão daqueles alunos que querem estudar.
Ao se proteger os problemáticos sem uma pedagogia adequada, se exclui os alunos com potencial e talento, contribuindo para o rebaixamento do nível escolar e comprometendo o futuro do país.
terça-feira, 1 de maio de 2012
COMO DESTRUIR UMA BOA IDÉIA
O mercado imobiliário está aquecido, a busca por moradias, os financiamentos para compra de imóveis novos e usados não param de crescer. Enfim, o velho problema do déficit habitacional finalmente resolvido (!?)
Recentemente a ONU reconheceu a importância do Minha Casa Minha Vida devido, principalmente, à capacidade de articulação entre os entes da federação e demais setores da sociedade. Enfim, o sucesso do programa se deve à participação da união, estados e municípios conectados ao setor imobiliário.
Mas, como nem tudo são flores, em muitos lugares o programa enfrenta uma série de dificuldades como a tardia e tímida adesão do governo paulista.
Mas a situação se torna mais grave quando as próprias prefeituras brecam o projeto.
Milhares de pessoas se inscreveram no Minha Casa Minha Vida na cidade de Poá, mas parece que a prefeitura não deseja mais pessoas na cidade pois alega que sobrecarregaria a infraestrutura existente e o município não possui recursos suficientes para esta demanda, e assim o programa não sai.
Poá possui um orçamento de mais de R$ 360 milhões, ou seja, R$ 1 milhão por dia, o suficiente para preparar a estrutura necessária. A prefeitura prefere gastar recursos em coisas secundárias como o enorme elefante branco em que se tornou a praça de eventos, revelando um espírito megalomaníaco que domina a atual administração municipal.
Milhares de pessoas enfrentaram filas, que estavam na expectativa de realizar seus sonhos , estão sendo impiedosamente ignoradas devido à visão obtusa do administrador-mor municipal.
quarta-feira, 14 de março de 2012
O VELHO CARNAVAL
Há alguns anos, minha filha ainda pequena me pediu para levá-la à matinê do baile de carnaval. As matinês são bailes feitos à tarde para atender a alegria das crianças e adolescentes.
Lembro-me da época em que as matinês eram mágicas, o lema era pular e cantar junto com a banda e percorrer o salão em um grande cordão humano. A banda com seus músicos com instrumentos de metal e percussão, executavam as tradicionais canções como “Olha a cabeleira do Zezé”, “Alalaô” até chegar a última que, se não me engano, era “Máscara Negra”. Mas hoje são apenas sombras de um passado marcante.
Mas acompanhando minha filha, ao adentrarmos à festa, encontrei uma cena totalmente diferente. Os músicos foram todos substituídos por gravações eletrônicas e as tradicionais canções brasileiras por estilo “dance”. No salão havia uma cama elástica com uma gigantesca fila e nem mais sinal do cordão humano. As crianças estavam brincando como fazem em qualquer festa de aniversário, além, é claro, do som altíssimo.
Para minha filha serviu para matar a curiosidade o que a fez se desinteressar pela tradicional festa. Para mim o choque das mudanças dos tempos e a saudade do velho Carnaval.
Lembro-me da época em que as matinês eram mágicas, o lema era pular e cantar junto com a banda e percorrer o salão em um grande cordão humano. A banda com seus músicos com instrumentos de metal e percussão, executavam as tradicionais canções como “Olha a cabeleira do Zezé”, “Alalaô” até chegar a última que, se não me engano, era “Máscara Negra”. Mas hoje são apenas sombras de um passado marcante.
Mas acompanhando minha filha, ao adentrarmos à festa, encontrei uma cena totalmente diferente. Os músicos foram todos substituídos por gravações eletrônicas e as tradicionais canções brasileiras por estilo “dance”. No salão havia uma cama elástica com uma gigantesca fila e nem mais sinal do cordão humano. As crianças estavam brincando como fazem em qualquer festa de aniversário, além, é claro, do som altíssimo.
Para minha filha serviu para matar a curiosidade o que a fez se desinteressar pela tradicional festa. Para mim o choque das mudanças dos tempos e a saudade do velho Carnaval.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
APESAR DOS PESARES ACREDITAMOS NUM FUTURO MELHOR
É interessante perceber que, apesar dos pesares, as pessoas acreditam num futuro melhor e estão dispostas a contribuir para que isso aconteça.
Há algumas semanas encontrei o amigo Marcio que me falou de um projeto fantástico que trata da recuperação e conservação da área do entorno do Rio Guaió, rio este que foi e ainda é fundamental para Poá. O projeto consiste em recuperar sua margens e várzea, proteger os animais silvestres como sagüis e plantas, construindo uma estrutura que possa ser utilizada como área de lazer e educação ambiental. Ao longo da exposição o projeto foi se enriquecendo com a construção de uma estação de tratamento de suas águas poluídas, incorporação dos dois campos de futebol através de parceria público-privado (PPP), combinado com o município de Suzano. Tudo isso após ser resolvida a pendência jurídica das áreas envolvidas. O nome desse projeto seria Parque Linear do Rio Guaió.
Outro amigo, um cinegrafista de televisão de nome Francisco, falou, entre outros, de dois projetos para gravar as imagens da história da cidade. O primeiro seria a obrigação de que a imagem de toda nova construção fosse registrada em fotografia frontal antes e depois de concluída a obra, registrando assim a alteração paisagística. O segundo projeto utilizaria a tecnologia do Google Maps with Street View com uma câmara fotográfica e recursos adequados às características locais, seria feito o registro de todas as ruas da cidade periodicamente e colocado à disposição da sociedade na internet (com domínio fora da prefeitura), de modo que a qualquer momento pudesse ser acionado e assim ser possível acompanhar toda dinâmica urbanística da cidade.
Eu mesmo há alguns anos apresentei à prefeitura de Poá um projeto da criação de ciclovias, ciclofaixas e bicicletários que interligariam alguns bairros aos centros de transportes urbanos como estações ferroviárias e rodoviárias com recursos oriundos do programa federal Bicicleta Brasil, mas a prefeitura jamais se manifestou.
Certamente muitas outras pessoas poderiam dar suas sugestões para a melhoria do lugar em que vivemos, mas infelizmente o egocentrismo, a megalomania e a miopia política parecem obstruir qualquer sensatez nos administradores da coisa pública, impedindo que várias soluções possam sequer serem apresentadas.
Mas, como muitos, acreditamos num futuro melhor.
Há algumas semanas encontrei o amigo Marcio que me falou de um projeto fantástico que trata da recuperação e conservação da área do entorno do Rio Guaió, rio este que foi e ainda é fundamental para Poá. O projeto consiste em recuperar sua margens e várzea, proteger os animais silvestres como sagüis e plantas, construindo uma estrutura que possa ser utilizada como área de lazer e educação ambiental. Ao longo da exposição o projeto foi se enriquecendo com a construção de uma estação de tratamento de suas águas poluídas, incorporação dos dois campos de futebol através de parceria público-privado (PPP), combinado com o município de Suzano. Tudo isso após ser resolvida a pendência jurídica das áreas envolvidas. O nome desse projeto seria Parque Linear do Rio Guaió.
Outro amigo, um cinegrafista de televisão de nome Francisco, falou, entre outros, de dois projetos para gravar as imagens da história da cidade. O primeiro seria a obrigação de que a imagem de toda nova construção fosse registrada em fotografia frontal antes e depois de concluída a obra, registrando assim a alteração paisagística. O segundo projeto utilizaria a tecnologia do Google Maps with Street View com uma câmara fotográfica e recursos adequados às características locais, seria feito o registro de todas as ruas da cidade periodicamente e colocado à disposição da sociedade na internet (com domínio fora da prefeitura), de modo que a qualquer momento pudesse ser acionado e assim ser possível acompanhar toda dinâmica urbanística da cidade.
Eu mesmo há alguns anos apresentei à prefeitura de Poá um projeto da criação de ciclovias, ciclofaixas e bicicletários que interligariam alguns bairros aos centros de transportes urbanos como estações ferroviárias e rodoviárias com recursos oriundos do programa federal Bicicleta Brasil, mas a prefeitura jamais se manifestou.
Certamente muitas outras pessoas poderiam dar suas sugestões para a melhoria do lugar em que vivemos, mas infelizmente o egocentrismo, a megalomania e a miopia política parecem obstruir qualquer sensatez nos administradores da coisa pública, impedindo que várias soluções possam sequer serem apresentadas.
Mas, como muitos, acreditamos num futuro melhor.
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Edição 55 - 28 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
IDENTIDADE CULTURAL
A expressão de um lugar qualquer não está necessariamente em seu poder econômico, mas sim em suas expressões naturais e culturais.
O valor econômico se expressa pela quantidade de riquezas mensuráveis, aquelas que são depositadas nas agências bancárias ou em imóveis para especulação imobiliária, entre outras.
Os valores da natureza estão aí feitos para nosso uso e contemplação, bastando apenas saber como fazê-los sem causar sua destruição.
As expressões culturais são os resultados de eventos e situações que as pessoas produzem através de complexas relações sociais e históricas, resultando no que chamamos de cultura.
E ela está por aí em todos os cantos e lugares, nascendo, florescendo e se transformando. Em cada quarteirão pessoas se agrupam para produzir cultura, ou de forma individual apenas. Nossa terra possui inúmeros talentos que devem ser incentivados pelo Estado.
A indústria cultural possui seu perfil que é transformar cultura em grana, de forma a não possuir compromisso com o espírito humano ou com as aspirações da sociedade.
O que vemos na prefeitura de Poá é a opção pelo lado errado da coisa, deixando em segundo plano a cultura que permeia a sociedade. A que nasce do povo.
Quero acreditar que esta opção ocorre espontaneamente e não por outros motivos, pois a formação cultural dos administradores públicos define a sua política. E ela está aí para ser conferida.
O valor econômico se expressa pela quantidade de riquezas mensuráveis, aquelas que são depositadas nas agências bancárias ou em imóveis para especulação imobiliária, entre outras.
Os valores da natureza estão aí feitos para nosso uso e contemplação, bastando apenas saber como fazê-los sem causar sua destruição.
As expressões culturais são os resultados de eventos e situações que as pessoas produzem através de complexas relações sociais e históricas, resultando no que chamamos de cultura.
E ela está por aí em todos os cantos e lugares, nascendo, florescendo e se transformando. Em cada quarteirão pessoas se agrupam para produzir cultura, ou de forma individual apenas. Nossa terra possui inúmeros talentos que devem ser incentivados pelo Estado.
A indústria cultural possui seu perfil que é transformar cultura em grana, de forma a não possuir compromisso com o espírito humano ou com as aspirações da sociedade.
O que vemos na prefeitura de Poá é a opção pelo lado errado da coisa, deixando em segundo plano a cultura que permeia a sociedade. A que nasce do povo.
Quero acreditar que esta opção ocorre espontaneamente e não por outros motivos, pois a formação cultural dos administradores públicos define a sua política. E ela está aí para ser conferida.
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Edição 54 - 25 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
UMA AGENDA CULTURAL PARA POÁ
Nos últimos anos a cidade de Poá tem promovido diversos eventos organizados pela Secretaria de Cultura. Muitos deles fazendo parte do calendário oficial. Grandes recursos financeiros estão à disposição da pasta. Um enorme contingente de funcionários e contratados acabam engrossando o elenco. Mas com toda essa infraestrutura, por que não emerge uma tradição cultural poaense?
Ao olharmos atentamente o calendário cultural percebemos que ele privilegia determinados grupos políticos, religiosos e econômicos. Parece que a prioridade é satisfazer as conveniências desses setores sociais e somente depois é que vem realmente a cultura. É comum artistas não terem a mesma consideração que vereadores ou quadros da prefeitura alheios ao assunto..
No rádio e na televisão temos a repugnante figura do Jabaculê, propina paga a empresas de comunicação eletrônicas para divulgarem determinadas música, em outras palavras, só toca se pagar. Meios de comunicação social a serviço do mercado cultural.
No início os artistas almejam apenas espaço, e isso está facilmente ao alcance da municipalidade.
A Cultura somente pode ser trabalhada adequadamente por quem possui compromisso com ela para perceber as manifestações autênticas, as que surgem de dentro da alma, e não de dentro do bolso.
Precisamos criar um ambiente em que os artistas possam discutir fraternalmente para que surjam novos caminhos por onde trilharão as mais variadas manifestações culturais. Aí sim será possível criar uma agenda cultural autêntica.
A prefeitura poaense precisa mudar de orientação e escolher o justo entre dois lados: o comércio cultural ou a cultura propriamente dita, pois não é possível servir a dois senhores ao mesmo tempo!
Ao olharmos atentamente o calendário cultural percebemos que ele privilegia determinados grupos políticos, religiosos e econômicos. Parece que a prioridade é satisfazer as conveniências desses setores sociais e somente depois é que vem realmente a cultura. É comum artistas não terem a mesma consideração que vereadores ou quadros da prefeitura alheios ao assunto..
No rádio e na televisão temos a repugnante figura do Jabaculê, propina paga a empresas de comunicação eletrônicas para divulgarem determinadas música, em outras palavras, só toca se pagar. Meios de comunicação social a serviço do mercado cultural.
No início os artistas almejam apenas espaço, e isso está facilmente ao alcance da municipalidade.
A Cultura somente pode ser trabalhada adequadamente por quem possui compromisso com ela para perceber as manifestações autênticas, as que surgem de dentro da alma, e não de dentro do bolso.
Precisamos criar um ambiente em que os artistas possam discutir fraternalmente para que surjam novos caminhos por onde trilharão as mais variadas manifestações culturais. Aí sim será possível criar uma agenda cultural autêntica.
A prefeitura poaense precisa mudar de orientação e escolher o justo entre dois lados: o comércio cultural ou a cultura propriamente dita, pois não é possível servir a dois senhores ao mesmo tempo!
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Edição 53 - 28 de outubro de 2011
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