quarta-feira, 3 de março de 2010

As explosões sociais

Nas últimas semanas tem acontecido momentos que devem ser analisados com bastante cuidado.

Nesta semana tivemos um protesto de moradores devido a enchentes, em Itaim Paulista.

Tivemos anteriormente protestos de moradores do Jardim Romano, por motivo semelhante.

Em outras regiões também ocorreram protestos por causa das enchentes.

Se considerarmos outros motivos, como no bairro de Brasilândia, a lista tende a crescer.

Estes acontecimentos possuem como alvo as autoridades públicas que não estão atendendo as necessidades dos moradores destes bairros. São explosões expontâneas tendo objetivo específico e que as autoridades não estão sabendo tratar corretamente.

Essas explosões expontâneas podem atingir um nível perigoso se suas demandas não forem minimamente atendidas. São elas de cunho prático e não envolvem ações políticas de grande envergadura. Esses protestos não são manifestações pedindo mais empregos, melhor sistema de saúde ou por mais democracia, mas pelo fim das enchentes em seus bairros.

É histórica a falta de tato no trato destas questões e, principalmente, quando proptestos são feitos por moradores de bairros que tradicionalmente não possuem interlocutores nem associações de porte, e as autoridade utilizam o método tradicional que é a repressão policial e a criminização do atores, e principalmente desqualificando a justeza das reivindicações.

Não podemos aprovar a destruição de equipamentos de uso público ou patrimônio privado, mas não podemos esperar que uma população periférica tenha um alto grau de organização e criar formas de luta usando lobistas ou elegendo deputados. As populações lutam com o que conseguem, e esta luta as autoridades não estão considerando com a devida seriedade.

Na outra ponta os setores organizados da sociedade também falham por estarem distantes destas populações não conseguindo organizar e nem orientar essas lutas, deixando assim de contribuir para uma qualificação, retardando seu fortalecimento e tornando o encontro das soluções mais distantes.

É importante que essa energia toda não seja desperdiçada nem derrotada, pois em cada derrota há  o distanciamento das soluções dos problemas e muitos  cidadãos acabam desanimando e abandonam a luta, realimentando assim o terrível ciclo.

É hora das autoridades e setores organizados da sociedade assumirem sua função, senão outras explosões sociais ocorrerão e cada vez com mais intensidede e violência.
   

Nenhum comentário:

Postar um comentário