quarta-feira, 4 de maio de 2011

SOBRE AS FEIRAS-LIVRES

  
A decisão da prefeitura suzanense de “enquadrar” as feiras-livres parece um tanto exagerada.
  
A feira-livre que ocorre aos sábados no Pátio Central denuncia quanto os homens ditos públicos estão aquém da realidade do cotidiano de nós simples mortais.

Começaram “organizando” as vagas para os clientes estacionarem seus carros. Sim clientes mesmo, pois quem vai à feira geralmente é assíduo nesta saudável atividade. Ocorre que antes o que era feito em apenas uma viagem, agora é feito em duas ou três devido ao peso das sacolas e ao aumento da distância, e se tiver sorte de ainda encontrar o seu carro lá pois a segurança na cidade deixa muito a desejar. Parece que querem impedir que os clientes cheguem até ela, daqui a pouco vão proibir os feirantes de venderem seus produtos.
  
Para entendermos a situação temos que ver que os homens públicos (alguém consegue dialogar com eles?) querem enquadrar, botar regras, definir critérios, impor rotinas, atribuir competências a algo que existe há milhares de anos que é a feira-livre, digo que existe até antes de qualquer prefeitura e da existência de homens-públicos.
  
Começaram limitando espaços, dias, vendedores, horários... , quando botaram o dedo na dúzia de bananas trocando-a por quilo pensei que já tinham chegado ao êxtase, ledo engano, e eis que continuam a avançar sobre esta atividade tão antiga e tão desprestigiada. Daqui a pouco vão querer fixá-las, exigir muros e paredes, instalações sólidas e o que a imaginação permitir.
  
O que eles querem mesmo é transformar as feiras-livres em verdadeiros supermercados.
  
Na história da humanidade ocorreram inúmeras tentativas de acabar com esta nobre atividade social.

Várias cidades surgiram no entorno das feiras-livres. Importante centro comercial e principal local de abastecimento da humanidade, ela foi sendo empurrada para as periferias para dar lugar aos centros comerciais poderosos que passaram a vender os mesmos produtos fazendo concorrência desleal.
  
Tema de inúmeras teses acadêmicas, as feiras dão importante contribuição na formação da identidade de um povo.
  
Se as feiras eram locais de encontro com amigos e com os deliciosos pastéis, yakissobas e os naturais caldos-de-cana, os supermercados são locais de encontro com as frias moças das caixas-registradoras, sem direito a pechincha e ofertas. Dizem que até D.Pedro II apreciava fazer umas comprinhas, nas feiras-livres, é claro..
 
É sabido que todos gostam de fazer uma feirinha, mas ninguém quer uma em frente à sua casa, mas este é outro problema.
  
É sabido também que as feiras-livres atrapalham o trânsito. Mas quem surgiu primeiro? O trânsito ou as feiras-livres?
  
Mas voltando ao nosso caso, a prefeitura acabar com esta nobre atividade não vai ficar bem nos anais da história, ainda mais de quem se auto define como representante dos trabalhadores.

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