Minha intenção era escrever uma crônica suave e crítica, mas fui surpreendido pelos acontecimentos (salvo pelo gongo, pois estava sem inspiração) com a manifestação ocorrida no dia 14 de maio em frente ao shopping Higienópolis.
O bairro de Higienópolis, no coração de São Paulo, é uma das áreas mais nobres (no sentido aristocrático mesmo) da cidade. Por lá estão algumas das mais tradicionais e caras escolas do país. Lá mora até um ex-presidente da república.
Ocorre que a Companhia do Metropolitano, conhecida simplesmente por Metrô, anunciou que iria ser construída uma estação bairro. Porém um grupo de moradores fez um abaixo-assinado contrário à obra e o Metrô, surpreendentemente, acolheu o pedido e mudou a estação de lugar. O principal argumento era que a estação iria trazer “gente diferenciada” ao bairro.
Pelo que entendi eles queriam impedir que pessoas pobres (a maioria da população) usassem o bairro, uma área pública, pois acham que vão desvalorizar seus imóveis.
Que a parcela mais rica da sociedade seja racista, preconceituosa e outras qualidades, é sabido, mas o Metrô ceder e atender a eles foi surpreendente.
Inesperadamante o fato ganhou proporções e até o Ministério Público entrou no páreo e está investigando a estranha capitulação do Metrô. A empresa diz que foram fatores técnicos que motivaram a mudança, mas informações técnicas desmentem o mesmo.
Enquanto isso, foi realizado um protesto em frente ao shopping Heliópolis. Sucesso, centenas de pessoas participaram do intitulado Churrascão de Gente Diferenciada, que defende o fim do preconceito e a permanência da estação do Metrô no local original.
Nisso tudo fica uma pergunta. Será que 3.500 assinaturas de moradores do bairro de Itaim Paulista teriam o mesmo efeito que as 3.500 de Heliópolis?
quinta-feira, 9 de junho de 2011
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