quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A RUA DO LADO

    Mas a rua do lado mudou bastante.

    Apesar de continuar simples e tranqüila, perdeu seu charme e elegância com o passar dos anos.

   Ao invés de árvores sombreando as calçadas oferecendo conforto e abrigo de um sol escaldante, calçadas retas e sem ondulações, muros decorados, casas com gloriosos jardins com flores e plantas que subiam pelos muros e floresciam, dando boas-vindas aos passantes, o que vemos hoje são vestígios de um passado não muito distante, onde o asfalto, aliás, a primeira rua asfaltada da cidade se não me falha a memória de um tempo de minha feliz infância, fazia dela a rua mais bonita da cidade, pelo menos para mim.

    Algodão-doce, quebra-queixo, bijou.... vendedores de livros, roupas, frutas e doces.

    As brincadeiras em grupos de dezenas de crianças que corriam e que se escondiam, empinando pipas, mão-na-mula, ou jogando bola, figurinha ou bolinha-de-gude...

    Hoje é apenas sombra que um glorioso passado pincelou em um quadro que não resistiu à ação do tempo.

    Moradores conversando? Hoje eles nem se conhecem! Os “bons dias” que dávamos aos que encontrávamos pelo caminho se transformaram em indiferença. É verdade que ainda existem alguns sobreviventes desse tempo e que acreditavam que o progresso nos levaria ao bem comum.

   Mas a rua do lado está em reforma e brevemente estará mostrando um novo asfaltamento, calçadas padronizadas e sem o inconveniente das rachaduras e obstáculos provocados pelas árvores, já que foram quase todas arrancadas. Casas com muros altos e em lugar dos jardins  estão as garagens dos automóveis.

   Mas a rua do lado mudou bastante.

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